quinta-feira, novembro 20, 2008


Quanto de mim
Perdido na própria vastidão do meu ser
Procura caminhos improváveis
Numa solidão puramente concreta
Representada por você


Marighetti

quinta-feira, outubro 09, 2008

Procuro-me


Sem mais nenhum critério
Busco sentir conforto qualquer
Desvendando o seu mistério
Nesse corpo que me quer.

Sem nenhuma vaidade
Percorro todos os seus cantos
Nessa enorme variedade
De segredos.

Com tamanha ansiedade
Beijo a boca sua
Como jovem de pequena idade
Deflora uma flor nua
À procura de si mesmo।


Marighetti

Canção

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas

Cecília Meireles

quarta-feira, outubro 08, 2008

O enterrado vivo

É sempre no passado aquele orgasmo,
é sempre no presente aquele duplo,
é sempre no futuro aquele pânico.

É sempre no meu peito aquela garra.
É sempre no meu tédio aquele aceno.
É sempre no meu sono aquela guerra.

É sempre no meu trato o amplo distrato.
Sempre na minha firma a antiga fúria.
Sempre no mesmo engano outro retrato.

É sempre nos meus pulos o limite.
É sempre nos meus lábios a estampilha.
É sempre no meu não aquele trauma.

Sempre no meu amor a noite rompe.
Sempre dentro de mim meu inimigo.
E sempre no meu sempre a mesma ausência।


Drummond

terça-feira, outubro 07, 2008


Por detrás da alma sua
Vejo uma flor inteira
E que de beleza nua
Inunda-me de sentido.

Quem dera


Quem dera você ouvisse
Não minha boca, mera convenção,
Mas minha alma de sentidos
Que fala do alto dessa sensação
De uma derrota definitiva e mortal

Quem dera você olhasse
Não meu contorno, nem silhueta.
Pois isso é mostra para o mundo
Cheio de fantasias vãs e padrões corporais
Pobres em espírito e vazios de sentido.
Mas que você olhasse para o que sou
O que me fez a caminhada longa
O que me tornaram as tantas lágrimas sentidas.

Olhe em meus olhos
E não veja um homem, tão pouco assim.
Veja uma história que se renova a cada dia viva
Que corre pelas veias
E que é o próprio sentido da palavra verdade.

Saiba sou eu a vida
Vida vivida, respirada, degustada, adormecida e amanhecida
Que insistiu em não ver।


Marighetti

domingo, agosto 17, 2008

Apenas um instante


Num instante
O solavanco saí do meu avesso
E transforma o que era medo
Em um fazer travesso
Transformando as horas em enredo.

Num instante
O que me era só um jeito
Passa a ser minha vontade
E explode mil fagulhas no meu peito
Vaidade, mistério, segredo e ansiedade.

Num instante
Era simples o tocar de suas mãos
Mas repentinamente sinto enormemente
Que quero procurar tudo
Tudo profundamente.

Num instante
A boca eram só palavras
Que ecoam simples
Mas de repente, de gesto em gesto
Descubro-me em você
Uma nova esfera de mim

Num instante
Era tão desconhecido
Mas agora, no calor da hora
Sei tudo o que queria
E que me basta.

Num instante
Minha vida que era simples
De um viver de cada dia
Tornou-se uma coisa densa
De uma vida que não é mais minha.



Por Marighetti

Outras Coisas

Encontro meus longos passos
Em cada verso colorido
Que juntos amarram como laços
Minha vida parca.

Meu passado
Ecoa presente nas vozes que ouço
E naquilo que vejo à distância
Mas que cortam minha pele
E me arrancam do meu corpo.

Vez ou outra eu sou,
Em resumo sintético
Um desenho abstrato
Pintado de cor marrom
E esquecido no fundo do armário



Por Marighetti

sábado, agosto 16, 2008

Lágrimas de Pedra


Dos meus braços
Sinto o peso dessa modernidade:
fantasia, individualismo e futilidade.
Dos meus olhos brotam
lágrimas de pedra
que reúno para construir um mundo novo.



Por Marighetti

domingo, agosto 10, 2008

O melhor de mim mesmo


O melhor de mim
É um banco vazio
Onde se senta ao retorno.
O melhor de mim
Nada é de especial
Nem surpreendente, nem sensual,
Pois o melhor de mim sou eu mesmo
Que é aquilo que te dou todo dia
E que usa só quando deseja.



Por Luiz Roberto Marighetti

quarta-feira, novembro 15, 2006

NOITE FRIA


Hoje a noite se fez mais fria
Como se quisesse ela
Congelar minha lembrança.
Hoje a noite se fez mais minha
Como se quisesse ela
Que eu vivesse só
Dela.
E hoje eu me fiz mais noite
Me escondi
Na escuridão
Da minha própria
solidão

Flor em Roda

Flor em Roda

domingo, outubro 22, 2006

A implosão da mentira


A implosão da mentira

Mentiram-me.Mentiram-me ontem
e hoje mentem novamente. Mentem
de corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente
que acho que mentem sinceramente.



Por Affonso Romano de Sant'Anna

segunda-feira, outubro 02, 2006

Poetar


Poetar


Fazer e desfazer o amar
Voar andando
Andar parado
Pintar o sete
Em oito cores
Morrer
Vivendo
Por Marighetti

Sobre Saudade


Saudade é vagar sozinho
Achar-se perdido
Na falta
De si.
Por Marighetti

domingo, outubro 01, 2006

O mundo é grande



O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.
Por Carlos Drummond Andrade

sexta-feira, setembro 29, 2006

Sinceridade


Sinceridade

O que dizer dessa sua sinceridade muda
que me cala mais que mil palavras
ditas ao pé do ouvido.

Se te ver me dá desassossego
é porque no correr dos dias
te leio e releio
em mil partes inteiras
e te junto
num só caderno
de poesia

e verso.

por Marighetti

quinta-feira, setembro 28, 2006

A Poesia


Essa é hora de poetar.
Mas poesia tem hora?
Poesia tem gosto?
Jogo de rima demora?
Ou já estava aqui anteontem?

Poesia tem vida.
Vida concreta.
Ela respira mais que eu,
Bebe pra ficar mais leve,
Sorri pra ficar mais bela,
Beija pra ficar mais um pouco
Nesse momento
E faz de mim só um parteiro.

quarta-feira, setembro 20, 2006

Sobre Amor



O que é o Amor,
senão apenas um verso,
que corre em torpor,
pela pele e te faz em inverso?

quarta-feira, setembro 13, 2006

Intensa Vontade


INTENSA VONTADE

No meio da noite
enquanto dança seu corpo
e do seu cheiro faço meu deleite,
Alguém me olha distante
e insiste para que adiante
te tenha inteira,
na cama e no colchão de amante.